Textos Apócrifos Revelam: Os Arcontes e os Ensinamentos Secretos de Jesus Que a Igreja Escondeu Por 2000 Anos
Você sabia que possivelmente a Bíblia que conhecemos hoje contém apenas uma parte da história completa de Jesus Cristo? De fato, acreditando ou não nas escrituras sagradas do cristianismo, certamente você não pode negar que Jesus Cristo é uma das figuras mais importantes de toda a história da humanidade.
No entanto, aqui está a questão crucial: como as escolhas do cânone bíblico foram feitas por seres humanos como eu e você, naturalmente possíveis de erros e frequentemente guiados pelos próprios interesses, há quem diga que o conteúdo da Bíblia conta apenas um lado de toda a história do Messias.
Mais alarmante ainda, segundo especialistas, apenas uma parte de toda a mensagem que o filho de Deus deixou para gerações futuras realmente chegou até nós. O resto? Bem, pode estar escondido em textos considerados “proibidos” pela Igreja.
Neste artigo, vamos explorar a descoberta revolucionária de 2017, além de investigar por que certos ensinamentos de Jesus foram censurados. Principalmente, descobriremos o que os misteriosos “Arcontes” têm a ver com nossa jornada espiritual.
O Que São Textos Apócrifos e Por Que Foram Excluídos?
Primeiramente, é essencial entender o conceito de textos apócrifos. Em uma rápida pesquisa na internet, você encontrará diversos textos considerados “apócrifos”, isto é, textos interpretados como incoerentes e que oficialmente não foram aceitos como a palavra de Deus.
A Grande Questão: Incoerentes ou Inconvenientes?
Mas você já se questionou sobre o porquê desses conteúdos serem vistos como incoerentes? Afinal, por que não podem ser apenas mais um ponto de vista a respeito da história bíblica?
Se houvesse uma revelação capaz de mudar tudo que conhecemos sobre o cristianismo, poderíamos observar dois caminhos prováveis entre os fiéis:
- Por um lado, a fé seria tremendamente reforçada
- Por outro lado, ela poderia ser completamente destruída
Isso porque o conteúdo de alguns desses textos apócrifos chega a ser extremamente polêmico, especialmente pelo fato de conter certos ensinamentos secretos de Jesus Cristo.
Os Ensinamentos Gnósticos
Esses ensinamentos, considerados gnósticos, falam mais profundamente sobre:
- Primeiramente, o reino celestial e sua verdadeira natureza
- Em segundo lugar, a criação do mundo material
- Além disso, revelam a existência de criaturas misteriosas
- E principalmente, os chamados “Arcontes” que atrapalham o caminho dos humanos
Em resumo, os cristãos teriam conhecimento apenas de uma parte da verdade, e talvez essa parte não seja suficiente para a jornada no pós-vida.
A Descoberta de 2017: O Manuscrito Que Mudou Tudo
Uma das provas mais concretas de todo esse assunto veio à tona em 2017, quando pesquisadores britânicos encontraram fragmentos de papiro em uma coleção impressionante de mais de 200.000 documentos da Universidade de Oxford.
O Primeiro Apocalipse de Tiago
Esses fragmentos representam, surpreendentemente, a cópia grega de um texto apócrifo mais antigo que se tem notícia. Por causa do seu conteúdo, ele pode ser definitivamente a descoberta religiosa mais importante dos últimos anos.
O texto foi escrito em grego e claramente mostra parte das conversas que Jesus teria tido com Tiago, o apóstolo que é descrito como irmão de Jesus.
O manuscrito faz parte de uma narração apócrifa conhecida como “Primeiro Apocalipse de Tiago”, uma história dos tempos do Novo Testamento que inicialmente os pesquisadores acreditavam existir somente em uma língua egípcia que evoluiu dos hieróglifos, a chamada língua copta.
O Concílio de Niceia: Quando a Bíblia Foi “Editada”
Todo esse conteúdo acabou ficando de fora do cânone bíblico em 367 depois de Cristo, exatos 42 anos após a realização do primeiro Concílio de Niceia.
A Definição do Novo Testamento
Foi nessa época que o Bispo Atanásio de Alexandria definiu os 27 livros que se tornaram o Novo Testamento e oficialmente considerou heréticas algumas histórias.
Entre elas estavam os textos presentes na famosa Biblioteca de Nag Hammadi. Caso a expressão não seja familiar para você, saiba que essa coleção envolve vários textos gnósticos do chamado cristianismo primitivo que vão desde:
- Orações e cartas entre os primeiros cristãos
- Evangelhos alternativos não incluídos na Bíblia
- Apocalipses e revelações sobre o fim dos tempos
- Ensinamentos secretos de Jesus aos apóstolos
O Gnosticismo: Uma Visão Radicalmente Diferente
Mas você sabe o que realmente significa quando falamos de textos gnósticos? Para entender o conceito, precisamos voltar para os anos anteriores ao nascimento de Cristo.
As Origens do Gnosticismo
Naquela época, existia uma concepção religiosa bem diferente do cristianismo tradicional. Não se sabe exatamente o local em que o conceito nasceu, apenas que ele teve origem no Oriente, talvez na Pérsia, e que gradualmente começou a ganhar espaço.
Os Dois Deuses: Bem e Mal
O gnosticismo prega que existem dois Deuses no universo: um bom e um mau. Ao contrário do que se imagina, segundo essa crença, nosso mundo não teria sido criado pelo Deus bom, mas sim por essa contraparte maligna.
Este Deus imperfeito, não tão poderoso quanto a divindade boa, porém capaz de usar a vida na Terra para aprisionar nossos espíritos, é chamado de Demiurgo.
A Prisão dos Espíritos
O gnosticismo acredita que, antes da vida como conhecemos, os espíritos das pessoas viviam em um universo de paz e luz. Contudo, depois de algum conflito nesse universo, as almas receberam o castigo de ficarem presas em corpos humanos.
A única forma de retornar a esse estado inicial e se libertar dessa prisão é através de um conhecimento secreto. Para os gnósticos, a morte e a ressurreição de Jesus não trazem automaticamente a salvação.
Pelo contrário, Cristo teria vindo justamente como mensageiro do Deus bom para ensinar os humanos a despertar desse aprisionamento material.
Os Arcontes: Os Guardiões da Prisão Material
O gnosticismo não acredita no pecado, em demônios e muito menos em anjos no sentido tradicional. Para essa corrente religiosa, o ser humano deve desprezar o que é material, já que isso teria sido criado pelo Deus maligno.
Quem São os Arcontes?
Ainda que não acreditem em anjos e demônios convencionais, os gnósticos certamente aceitam a existência de construtores do nosso universo físico: os Arcontes.
Eles seriam como governantes que ativamente não permitem que os espíritos deixem o mundo material. Não se sabe exatamente como é a aparência desses seres, embora as descrições mais aceitas digam que seus rostos são como o de feras.
A Descoberta na Biblioteca de Nag Hammadi
Alguns detalhes sobre os Arcontes surgiram em 1945, quando cópias de documentos antigos foram encontradas durante a descoberta da coleção de Nag Hammadi.
Infelizmente, os pesquisadores precisaram se debruçar apenas nas cópias, já que o material original acabou se perdendo durante a história. Ainda assim, eles conseguiram encontrar um capítulo chamado “Hipóstase dos Arcontes”.
Este texto falava sobre como esses seres dominam o mundo e aparentemente são responsáveis por controlar a mente humana, além de fazerem com que tenhamos outra percepção do universo.
O Alerta de Jesus Sobre os Arcontes
Claramente, essa é uma visão bem diferente do que o cristianismo tradicional ensina. Mas talvez isso tenha sido culpa dos humanos, uma vez que no papiro do Primeiro Apocalipse de Tiago teria um alerta de ninguém menos que Jesus Cristo sobre os Arcontes.
O Mundo Como Uma Matrix
O manuscrito dizia que o filho de Deus ensinou a Tiago que o mundo material é uma prisão, uma espécie de “Matrix”, e que especificamente os Arcontes estão bloqueando o caminho dos humanos para a vida após a morte.
Como o conteúdo desses textos passava a impressão de que Jesus era bem mais um revelador da sabedoria humana e universal do que um Messias propriamente dito, consequentemente o manuscrito foi banido e ignorado.
A Censura Contra os Ensinamentos
Essa atitude, por si só, vai totalmente contra o que Jesus supostamente queria. Ao que parece, o objetivo de Cristo em repassar esse conhecimento a Tiago seria para que o apóstolo difundisse essas informações entre os povos.
Mas pelo visto, não era de interesse da Igreja utilizar esses elementos gnósticos. Além de também conter previsões a respeito do futuro, entre elas a morte de Tiago, os textos também ajudaram os pesquisadores a ficar por dentro de possíveis conversas entre Jesus e seu irmão.
Tiago: Irmão de Sangue ou Tratamento Espiritual?
O curioso é que quando falamos nessa irmandade, não está claro se os textos se referem a um irmão de sangue ou apenas uma forma de tratamento mais pessoal.
A Urna Funerária de 2000 Anos
Em 2002, revelaram ao mundo uma pequena urna funerária de aproximadamente 2000 anos de idade. A caixa, em pedra calcária, tem uma inscrição que definitivamente incentiva o debate sobre esse tema da família de Jesus.
Gravada em aramaico, ela diz: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. Essa, meu caro, seria a primeira ligação arqueológica e física envolvendo o Cristo.
Embora alguns estudiosos digam que o trecho “irmão de Jesus” tenha sido falsificado na caixa, testes mostraram que toda a inscrição tem 2000 anos, exatamente a mesma idade da urna.
A Importância da Identificação
Há dois milênios, era comum que identificassem os mortos não pelo sobrenome, mas sim pela filiação. Então, “Tiago, filho de José” faz total sentido.
Agora, uma identificação sobre um irmão do filho de Deus é algo extremamente incomum. Para que isso tenha sido registrado, provavelmente foi porque a intenção era demonstrar como o irmão da pessoa era tão importante quanto o pai.
Os 200.000 Documentos de Oxford: Quantos Segredos Restam?
Assim como todo o material encontrado, depois de longos dois anos de investigação na Universidade de Oxford, uma pergunta permanece: qual outra informação sobre as histórias bíblicas pode estar escondida entre os mais de 200.000 documentos?
O Que a Coleção Contém
Os pesquisadores encontraram, entre outras coisas:
- Contratos de compras e vendas da antiguidade
- Recibos de impostos de sociedades antigas
- Textos literários de diversas culturas
- Registros do dia a dia de pessoas comuns
- E claro, manuscritos religiosos de valor inestimável
O acervo conta com materiais encontrados em escavações desde 1896. Os poucos textos gnósticos que ainda estavam preservados faziam parte da Biblioteca de Nag Hammadi.
Por Que a Igreja Censurou Esses Textos?
Uma pergunta crucial permanece: por que exatamente a Igreja decidiu excluir esses textos do cânone oficial?
Razões Teológicas
Primeiramente, do ponto de vista teológico, o gnosticismo apresentava uma visão que fundamentalmente conflitava com a doutrina que a Igreja estava tentando estabelecer:
- Negava a importância da morte e ressurreição de Cristo como salvação
- Apresentava um Deus criador como maligno ou imperfeito
- Sugeria que conhecimento secreto, não fé, traria salvação
- Questionava a autoridade da hierarquia eclesiástica
Razões Políticas
Além disso, havia razões políticas importantes:
- Primeiro, a necessidade de unificar a doutrina cristã
- Segundo, estabelecer controle sobre o que era “ortodoxo”
- Terceiro, manter a autoridade dos bispos e líderes
- Quarto, evitar divisões e heresias na comunidade
O Impacto na Fé Cristã Moderna
Atualmente, a descoberta desses textos tem gerado debates intensos entre teólogos, historiadores e fiéis.
Diferentes Perspectivas
Alguns argumentam que esses textos enriquecem nossa compreensão do cristianismo primitivo. Outros afirmam que eles representam desvios da verdadeira mensagem de Cristo.
O que é inegável é que esses documentos nos mostram que o cristianismo primitivo era muito mais diverso e complexo do que geralmente imaginamos.
Como Acessar Esses Textos Hoje
Felizmente, na era digital, muitos desses textos apócrifos estão disponíveis para quem quiser estudá-los.
Recursos Disponíveis
Você pode encontrar:
- Traduções completas da Biblioteca de Nag Hammadi online
- Estudos acadêmicos sobre textos gnósticos
- Documentários explorando essas descobertas
- Livros especializados sobre cristianismo primitivo
Conclusão: Dois Lados da Mesma Moeda?
Então, será que as histórias do cânone bíblico são apenas um lado de uma mesma moeda? O que o outro lado esconde?
A verdade é que, independentemente de suas crenças pessoais, esses textos oferecem uma janela fascinante para o cristianismo primitivo e as diversas interpretações que existiam sobre os ensinamentos de Jesus.
Talvez a questão não seja escolher entre uma versão ou outra, mas sim reconhecer que a espiritualidade humana é complexa e multifacetada.
No final das contas, cada pessoa deve buscar sua própria verdade, seja através dos textos canônicos, dos apócrifos, ou de ambos.
O importante é manter a mente aberta, questionar com respeito e nunca parar de buscar compreensão mais profunda sobre nossa existência e propósito.
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📚 Referências e Fontes
Descobertas Arqueológicas:
- Universidade de Oxford – Coleção de Papiros
- The Nag Hammadi Library – Textos Completos
- Biblical Archaeology Society
Estudos sobre Gnosticismo:
- The Gnostic Society Library
- World History Encyclopedia – Gnosticismo
- PAGELS, Elaine. Os Evangelhos Gnósticos. Objetiva, 2006.
História do Cristianismo:
- Vaticano – Arquivos Apostólicos
- Encyclopædia Britannica – Concílio de Niceia
- Early Christian Writings
Textos Apócrifos:
- Pseudepigrapha – Coleção de Textos Apócrifos
- Sacred Texts – Apocrypha
- EHRMAN, Bart D. Evangelhos Perdidos. Record, 2008.
Pesquisas Acadêmicas:
Nota Importante: Este artigo apresenta perspectivas históricas e acadêmicas sobre textos apócrifos e gnosticismo. O conteúdo não pretende desafiar ou diminuir a fé de ninguém, mas sim oferecer informações sobre a diversidade do cristianismo primitivo. Respeita-se todas as crenças e interpretações religiosas.
Pedro Freitas é pesquisador de história das religiões e textos antigos, especializado em traduzir descobertas arqueológicas e debates teológicos complexos para linguagem acessível. Seu trabalho busca promover o diálogo respeitoso entre diferentes perspectivas sobre espiritualidade e fé.
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