Política

STF e crime organizado: quando ministros naturalizam privilégios pagos por investigados

A denúncia na CPI

Durante sessão da CPI do Crime Organizado, o relator senador Alessandro Vieira questionou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, sobre ministros do Supremo Tribunal Federal viajando em aviões pagos por investigados ligados ao crime organizado. A referência foi direta ao ministro Dias Toffoli, que teria viajado em voo custeado pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por supostas conexões com organizações criminosas.

O que está em jogo

Vieira destacou que o crime organizado não se resume ao “pobre armado na favela”, mas infiltra-se nos gabinetes e escritórios em Brasília. Segundo ele, ministros que aceitam caronas em jatinhos, hospedagens e eventos luxuosos pagos por investigados estão normalizando práticas que corroem a credibilidade da Justiça. O senador lembrou que o Brasil já teve presidentes, governadores e parlamentares presos, mas nunca ministros de tribunais superiores — e que esse momento pode estar se aproximando.

O debate sobre ética

O senador citou a proposta de um código de ética para ministros, defendida por Edson Fachin e rejeitada por Luís Roberto Barroso, sob o argumento de que “ministros não têm problemas de ética”. Vieira rebateu afirmando que a realidade mostra o contrário: há ministros que consideram normal usufruir de benefícios pagos por investigados. Para ele, a ausência de regras claras abre espaço para a infiltração do crime organizado nos poderes.

A resposta de Lewandowski

Lewandowski condenou infrações éticas e lembrou que já existem leis e códigos suficientes para coibir abusos, mas que falta fiscalização efetiva. Ele sugeriu maior controle sobre o financiamento de campanhas eleitorais, especialmente diante dos fundos bilionários que alimentam partidos e candidatos. Para o ministro, o problema não é a ausência de normas, mas a falta de aplicação prática.

Naturalização da corrupção

Vieira reforçou que o Brasil está “doente” e que a sociedade naturalizou práticas como a contratação reiterada de esposas de ministros em escritórios de advocacia, recebendo valores milionários sem justificativa processual. Para ele, esse tipo de relação é mais um sintoma da captura do Estado pelo crime organizado.

Conclusão crítica

A CPI expôs um tema sensível: ministros do STF usufruindo de privilégios pagos por investigados ligados ao crime organizado. A resposta institucional continua tímida, limitada a discursos sobre ética e fiscalização. Enquanto isso, a naturalização dessas práticas mina a confiança pública e reforça a percepção de que o Judiciário está blindado contra responsabilização. O enfrentamento ao crime organizado não pode se restringir às periferias; precisa alcançar também os gabinetes e tribunais superiores.

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Fonte:

  • CPI do Crime Organizado – Senado Federal

https://maketruthtriumphagain.com.br/alexandre-de-moraes-e-a-cassacao-de-zambelli-mais-uma-invasao-do-stf-a-competencia-do-congresso/

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