Gilmar Mendes “Legisla” sobre impeachment de ministros do STF e limites da Justiça
A bancada do Partido Novo apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a qualquer cidadão iniciar processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa é uma reação direta à decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, que restringiu a prerrogativa ao Procurador-Geral da República e elevou de metade para dois terços os votos necessários no Senado para dar andamento ao processo.
O argumento do Novo
Segundo o partido, a decisão de Gilmar Mendes contraria a Lei do Impeachment de 1950, que prevê que qualquer cidadão pode denunciar autoridades por crime de responsabilidade. Para os parlamentares, a medida introduz insegurança institucional e rompe a coerência do sistema republicano ao redefinir unilateralmente competências exclusivas do Legislativo.
O poder monocrático e suas consequências
O episódio expõe um problema recorrente: o uso excessivo de decisões monocráticas por ministros do STF em temas de grande impacto político e institucional. Ao reinterpretar normas recepcionadas pela Constituição de 1988, o Supremo assume papel de legislador negativo, mas sem o debate coletivo que deveria caracterizar decisões de tal magnitude. Isso gera a percepção de que o Judiciário atua como ator político, em vez de guardião da Constituição.
Implicações institucionais
- Separação de poderes: A decisão de Gilmar Mendes é vista como interferência direta em prerrogativas do Legislativo.
- Insegurança jurídica: Mudanças abruptas em regras de impeachment fragilizam a previsibilidade institucional.
- Legitimidade popular: A PEC busca devolver ao cidadão a capacidade de denúncia, reforçando o princípio republicano.
- Judicialização da política: O caso reforça a tendência de o STF se tornar árbitro de disputas políticas, ampliando tensões entre poderes.
O que observar
- Tramitação da PEC: Para avançar, precisa reunir 171 assinaturas de deputados federais.
- Reação do STF: Possível resistência institucional à proposta, com novos embates jurídicos.
- Debate público: A discussão sobre limites do Judiciário e responsabilização de ministros tende a ganhar força.
- Impacto político: A PEC pode se tornar bandeira de partidos que defendem maior controle sobre o STF.
Conclusão crítica
O caso expõe a fragilidade do equilíbrio entre poderes no Brasil. Ao impor restrições via decisão monocrática, o STF reforça a percepção de ativismo judicial e alimenta reações legislativas como a PEC do Novo. Mais do que uma disputa jurídica, trata-se de um teste institucional: até onde vai a autoridade do Supremo e qual o espaço real de participação cidadã na responsabilização de seus ministros.
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