Política

Bolsonaro e as hérnias: a saúde sob tutela do STF

Bolsonaro e as hérnias: quando até a medicina depende da caneta de Moraes

O exame autorizado

No domingo, 14 de dezembro, médicos recomendaram que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse submetido a cirurgia após um ultrassom portátil revelar duas hérnias inguinais. O procedimento ocorreu na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Bolsonaro está preso desde 22 de novembro. Além disso, o exame só aconteceu porque o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou sua realização, alegando que os laudos apresentados pela defesa estavam desatualizados.

O controle judicial sobre a saúde

O episódio escancara o nível de controle que Moraes exerce sobre a vida de Bolsonaro. Não bastasse decidir sobre sua prisão, agora até exames médicos dependem de autorização judicial. A defesa havia solicitado a avaliação para atualizar o quadro clínico e embasar decisões sobre possíveis intervenções cirúrgicas. No entanto, em vez de confiar na equipe médica, Moraes impôs sua caneta como filtro para a saúde do ex-presidente. Portanto, a medicina passou a ser subordinada ao Judiciário.

O absurdo institucional

É inaceitável que um ministro do STF se coloque como intermediário entre médicos e paciente. A medicina é uma ciência autônoma, baseada em diagnósticos e protocolos clínicos. Assim, ao exigir autorização para um simples ultrassom, Moraes transforma um direito básico em ato político. Essa postura reforça a crítica de que o Judiciário brasileiro extrapola suas funções e invade áreas que não lhe competem. Consequentemente, a confiança pública na imparcialidade da Justiça se deteriora.

O contexto maior

Esse caso soma-se a outros episódios recentes. Houve a cassação de Carla Zambelli contra decisão da Câmara. Além disso, ocorreu o bloqueio da anistia ampla e a blindagem contra pedidos de impeachment. Em todos eles, o padrão é o mesmo: decisões monocráticas que concentram poder e reduzem a autonomia das demais instituições. Por outro lado, o Congresso permanece omisso, permitindo que o STF avance cada vez mais.

Conclusão crítica

O ultrassom que revelou as hérnias de Bolsonaro deveria ser apenas um ato médico. No entanto, tornou-se mais um exemplo da hipertrofia do STF. Quando até exames clínicos dependem da autorização de um ministro, fica claro que a democracia brasileira está doente. Além disso, o Congresso continua passivo, enquanto Moraes avança sobre todos os campos, inclusive a medicina. Portanto, o resultado é um país onde até a saúde virou instrumento de poder.

CTA: Quer entender como decisões judiciais que extrapolam suas funções afetam direitos básicos como a saúde? Explore outros artigos de Pedro Freitas e mantenha seu olhar crítico sobre o STF.


Fonte:

  • Reportagem sobre exame médico de Jair Bolsonaro – imprensa nacional

Dosimetria: A manipulação política, mentiras e a omissão do Congresso

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