Política

Alexandre de Moraes e o Banco Master: pressão política, conflito de interesses e risco institucional

 

O encontro com Galípolo

Em julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes teria solicitado um encontro com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para tratar da operação de venda do Banco Master ao BRB. Segundo apuração de Malu Gaspar, Moraes pediu que Galípolo aprovasse a transação e chegou a afirmar que “gostava de Vorcaro”, em referência ao dono do banco. O episódio não foi isolado: Moraes teria feito pelo menos quatro contatos, três por telefone e um presencial, sempre em defesa da instituição.

O contrato da esposa

O caso ganha contornos ainda mais graves porque a esposa do ministro, Viviane Barci, advogada, tinha contrato de prestação de serviços com o Banco Master avaliado em cerca de R$ 129 milhões. O vínculo financeiro direto entre a família do magistrado e a instituição investigada por irregularidades bilionárias levanta suspeitas de conflito de interesses e coloca em xeque a imparcialidade de sua atuação.

Banco Central já identificava irregularidades

Na época em que Moraes intercedia, o Banco Central já havia identificado indícios de irregularidades graves no Banco Master. Mesmo assim, o ministro pressionou pela aprovação da operação com o BRB. Consequentemente, sua postura pode ser interpretada como tentativa de influenciar uma decisão técnica em favor de interesses privados.

Reação institucional

Após a revelação, o Banco Central confirmou oficialmente que manteve reuniões com Moraes, mas alegou que o tema tratado foi a Lei Magnitsky, aplicada contra o ministro e sua família pelos EUA. A justificativa, no entanto, não elimina a suspeita de que houve pressão indevida. Congressistas já falam em CPI para investigar a relação entre o STF, o Banco Central e o Banco Master.

O risco para a democracia

O episódio expõe um problema estrutural: quando um ministro do Supremo, responsável por julgar casos de grande impacto, atua em defesa de uma instituição privada ligada à sua família, a separação entre interesses públicos e privados se rompe. Assim, a confiança na imparcialidade do Judiciário se fragiliza e o equilíbrio institucional fica ameaçado.

Conclusão crítica

Ao interceder junto ao Banco Central em favor do Banco Master, Alexandre de Moraes ultrapassou os limites de sua função constitucional. O envolvimento direto de sua família com contratos milionários agrava ainda mais a percepção de conflito de interesses. Consequentemente, o caso não é apenas um episódio isolado, mas um alerta sobre a captura de instituições por interesses privados. Portanto, a democracia brasileira exige transparência e investigação rigorosa para evitar que o Judiciário se torne refém de relações pessoais e financeiras.

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Fontes:

  • CGN – Moraes teria pressionado Banco Central em favor do Banco Master
  • Gazeta do Povo – esposa de Moraes tinha contrato milionário com o banco
  • Metrópoles – Banco Central confirma reuniões com Moraes
  • CBN – atuação de Moraes junto ao BC antes do caso chegar ao STF
  • Metrópoles – congressistas falam em CPI do Banco Master

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