Judas no Evangelho Gnóstico: diálogos ocultos e revelações proibidas
O Judas dos evangelhos canônicos
Nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, Judas Iscariotes aparece como traidor. Por exemplo, em Mateus 26:24, Jesus declara: “Ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído; melhor lhe fora não ter nascido.” Assim, a tradição bíblica consolidou Judas como símbolo da infidelidade. Entretanto, o Evangelho de Judas apresenta uma narrativa totalmente diferente.
O discípulo iluminado
No texto gnóstico, Judas compreende a verdadeira missão de Jesus. Em um diálogo, Jesus repreende os discípulos por celebrarem a Eucaristia e afirma: “Nenhuma geração do povo que está entre vocês me conhecerá.” Todos se irritam, menos Judas, que responde: “Eu sei quem você é e de onde veio. Você é do reino imortal de Barbelo.” Portanto, Judas se torna o discípulo mais fiel e consciente.
Jesus revela os mistérios a Judas
Segundo o evangelho, Jesus confia a Judas segredos que não compartilha com os outros apóstolos. Ele afirma: “Você será o 13º, amaldiçoado pelas gerações, mas governará sobre elas.” Assim, Judas recebe a missão de colaborar com a salvação. Enquanto os demais permanecem presos ao mundo material, Judas acessa a revelação espiritual. Consequentemente, sua entrega não representa traição, mas cumprimento de um propósito divino.
Comparação com a Bíblia tradicional
Nos evangelhos canônicos, Judas entrega Jesus por dinheiro e se deixa influenciar por Satanás. Porém, no Evangelho de Judas, sua entrega cumpre uma missão divina: “Você sacrificará o homem que me veste.” Ou seja, Judas liberta Jesus da prisão do corpo físico. Portanto, sua ação se torna necessária para a transcendência. Em contraste, a Bíblia tradicional o amaldiçoa, enquanto o texto gnóstico o exalta.
O Deus inferior e o Deus supremo
Outro ponto central é a cosmologia gnóstica. O texto afirma que um Deus inferior criou o mundo material, mas acima dele existe um Deus supremo. Assim, Jesus não veio apenas para redimir pecados, mas para revelar esse conhecimento oculto. Nesse contexto, Judas compreende e colabora com a missão espiritual. Consequentemente, ele se torna guardião da revelação.
Judas como guardião da revelação
Em uma passagem, Jesus instrui Judas: “Levante os olhos e olhe para a nuvem, para a luz que há nela e para as estrelas ao redor. A estrela que guia o caminho é a sua estrela.” Portanto, Judas assume o papel de guardião da revelação. Além disso, ele participa diretamente da libertação espiritual da humanidade. Consequentemente, sua figura se transforma de vilão em aliado essencial.
Conclusão gnóstica
O Evangelho de Judas desafia a narrativa oficial e propõe uma visão em que o “traidor” se torna discípulo iluminado. Assim, Judas deixa de simbolizar maldição e passa a representar fidelidade espiritual. Portanto, sua figura se torna chave para compreender a dimensão gnóstica da fé cristã, onde o conhecimento transcende o mundo físico. Finalmente, Judas aparece como colaborador da salvação e não como inimigo de Cristo.
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Fonte:
- Comparações com evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João)
- Estudos acadêmicos sobre gnosticismo e textos apócrifos
A Bíblia Etíope: segredos, evangelhos adicionais e a história da Arca da Aliança
